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Com Giovanni Pellielo e André Altobello.

Estive na Itália, considerada por mim e por muitos o berço do tiro esportivo no mundo. Tive a oportunidade de treinar com meu amigo Giovanni Pellielo, multicampeão com um currículo impressionante. Medalhista em 2 Olimpíadas, ele dispensa comentários. Estava também o amigo André Altobello e passamos alguns dias sob seu comando, aprendendo e escutando de como é a vida de um atleta italiano. E ai conto para vocês...

Jonny, apelido do campeão, vive na região de Vercelli, próximo a Milão. Seu clube, A.S.D Tiro a Volo San Giovanni, tem 3 pedanas de Fossa Olímpica e está aberto todos os dias para quem queira iniciar no Tiro Esportivo. O Presidente do clube, sua mãe, uma senhora de aproximadamente 80 anos, ainda pratica a Caça Esportiva. No clube, o braço direito e fiel escudeiro de Jonny, recebe inúmeros adeptos durante todo o tempo e estima-se ao ano 3 milhões de cartuchos.

O campeão tem uma vida regrada, faz academia, cuida da alimentação, tem rotina de treinos e vantajosamente com patrocinadores. O atleta não se preocupa com nada, apenas em treinar e passar seus ensinamentos aos novos clientes do Tiro Esportivo e todo aquele que queira fazer uma clínica de Tiro. 

Em véspera de competições importantes, Jonny dispara de 4 a 6 horas por dia, ininterruptas, chegando a uma média de 15 a 18 séries. Seu treinamento dura 5 dias com uma pausa de 2 a 3 dias para reiniciar tudo novamente. E tudo isso dura de 10 a 15 dias.

Em suas palavras: “Se não treinar forte e com vontade, não espere resultados.”


Campeonatos e provas

Na Itália, o Campeonato é divido por classes:

• Excelência - cartuchos 24 gramas
• Primeira - cartuchos 24 gramas
• Segunda - cartuchos de 28 gramas
• Terceira - cartuchos de 28 gramas 

Os atletas destaques da seleção italiana, como Giovanni Pellielo, Maximo Fabrizzi, Frasca e Grazinni, que participam do Campeonato Italiano somente em duas edições, ou seja, eles obrigatoriamente participam de 4 provas classificatórias para final do Campeonato. Porém, se na 1ª etapa das 4, eles fizerem uma pontuação acima de 120 pratos em 125, já estão classificados para a Grande Final. E isso, na maioria das vezes, todos conseguem na 1º etapa. Independente de atirar ou não no Campeonato Italiano, que não são obrigados, há anos fazem parte da equipe Nacional Italiana. Esses atletas já são ganhadores de medalhas em Copas do Mundo e Mundiais, um fato que ocorreu antes do Mundial em 2013. Só para relembrar que, na etapa de um Campeonato da Europa, há uma semana de viajar para o Mundial em Lima, Jonny fez 115 em 125 pratos. Mesmo sem ir para final, seu treinador o levou para Lima e lá ganhou o Campeonato do Mundo com 123 mais a final.


O treinador convoca! Ele é o responsável! 

Na Itália não existe ranking para esses atletas convocados, muito menos algo paralelo. Ou seja, quem merece e ganha medalhas é convocado. Sem perguntas, sem pedidos, sem a interferência de ninguém!

O Presidente da Federazione italiana Tiro al Volo FITAV confia no treinador e seu trabalho é somente treinar, sem envolvimento com nada além disso. É claro que isso pode e deve dar retorno, pois medalhas são conquistadas com suor e dedicação, tanto dos atletas como de seus treinadores.

Com Luciano Rossi, presidente da FITAV.Desde 2005, faço parte da Equipe Brasileira e durante esses anos representei o Brasil em muitos campeonatos. O que me mais me chama a atenção são os atletas que representam seus países. A conclusão que cheguei é: cada país leva seu atleta e, durante muito tempo, são os mesmos. Por isso, ELES conseguem resultados. Insistem até conseguir e é assim que precisa funcionar. Posso citar alguns atletas:

Itália: Giovanne Peliello, Maximo Fabrizzi, Grazini, Frasca, Resca
Croácia: Giovanni Cernogoraz, Glasnovic Josip, Glasnovic Anton
Turquia: ILNAM Yavuz, TUZUN Oguzhan
Austrália: Michael Diamond, Adam Vella
Espanha: Alberto Fernandes, Jesus Serrano
EUA: Cassey Walace, Brind Burrows
Rússia: Alexey Alipov, Maksin Smikow

E ainda cito outros nomes conhecidos como: Erick Varga (SVK), Joao Azevedo (POR), David Kostelecky (CZE), Stefano Selva (SMR), Khaled Almudhaf (KUW), Singh Sandhu (IND), Kasten Bindrich (GER) e muitos outros que há anos estão na luta por resultados.

 

Atletas e a prática do esporte

Você sabia que na Itália tem aproximado 25 mil atiradores de Fossa Olímpica?

Pois é, um número impressionante pelo seu tamanho territorial. Porém, em outra realidade. Inúmeras fábricas de armas e munições, incentivadas pelo alto consumo, aumentam a cada ano. Jovens de 16 anos são incentivados a conhecer o 3º maior esporte em número de medalhas na Itália, perdendo somente para futebol e vôlei.

O Tiro ao Prato na Itália é a razão pela qual o país vive um momento único. Medalhas conquistadas nas últimas Copas do Mundo, Campeonatos Mundiais, Campeonatos Europeus e Olimpíadas, traduzem em uma única palavra: INVESTIMENTO.

Um país livre, sem obstáculos para adquirir armas e munições, é mais livre ainda para conquistar o mundo do Tiro Esportivo.

Com Mauro Perazzi, presidente da Perazzi.

Brasil, o que penso:

Quem sabe nossos governantes possam mudar suas opiniões em relação a tudo que estiver relacionado ao Tiro Esportivo e proporcionar maiores incentivos aos atletas.

Que a 1ª Medalha de Ouro que o Tiro Esportivo proporcionou ao Brasil seja lembrada e valorizada.

Que um dia possamos ter jovens atletas entre os veteranos, e que esses mesmos jovens tenham seu devido reconhecimento mesmo antes de conquistar um pódio.

Jogos Olímpicos Rio 2016


Quem sabe um dia!


Por Roberto Schmits

 


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